Publicidade e responsabilidade civil de influenciadores digitais: o que diz a lei e o CONAR
2/18/20263 min read
A atuação de influenciadores digitais deixou de ser apenas uma atividade informal nas redes sociais e passou a ocupar um espaço relevante na publicidade, no consumo e nas relações jurídicas. Com isso, surgem dúvidas recorrentes: Quais são as regras para publicidade? É obrigatório sinalizar publi? O influenciador pode ser responsabilizado por prejuízos aos seguidores?
Neste artigo, explicamos de forma objetiva quais são as principais regras aplicáveis à publicidade feita por influenciadores e criadores de conteúdo, bem como os riscos jurídicos envolvidos.
Quando o conteúdo do influenciador é considerado publicidade?
De acordo com as normas do CONAR, um conteúdo é considerado publicitário quando estão presentes, de forma conjunta:
Divulgação de produto, serviço, marca ou causa;
Existência de relação comercial, ainda que não financeira entre anunciante/agência;
Algum grau de ingerência ou alinhamento com o anunciante, como orientações sobre o conteúdo, forma ou momento da postagem.
Quando esses elementos existem, o conteúdo deixa de ser meramente espontâneo e passa a ser tratado como mensagem publicitária, sujeita às regras legais.
A obrigação de identificar a publicidade
Um dos princípios centrais das regras aplicáveis aos influenciadores é a transparência.
O CONAR determina que o conteúdo publicitário deve ser claramente identificado, de modo que o seguidor compreenda, de forma imediata, que se trata de uma publicidade — e não de uma opinião neutra ou experiência pessoal desinteressada.
Por isso, recomenda-se o uso de termos claros e ostensivos, como:
“publicidade”
“publi”
“conteúdo pago”
“parceria paga”
“patrocinado”
A simples marcação do perfil da marca, o uso de cupons de desconto ou a menção informal ao produto podem não ser suficientes para cumprir esse dever de informação.
E os “recebidos”?
Mesmo quando não há pagamento em dinheiro, conteúdos decorrentes de brindes, viagens, convites, produtos enviados ou experiências oferecidas exigem cuidado.
O CONAR classifica essas situações como “mensagem ativada”. Embora nem sempre sejam consideradas publicidade no sentido estrito, devem ser identificadas, justamente porque a vantagem recebida pode influenciar a percepção do seguidor.
Expressões como “recebido”, “a convite de” ou “obrigada à marca” são recomendadas para preservar a transparência.
Responsabilidade civil: o influenciador responde por prejuízos aos seguidores?
Além das regras publicitárias, outro ponto fundamental é a responsabilidade civil do influenciador.
A jurisprudência e a doutrina vêm consolidando o entendimento de que o influenciador pode ser responsabilizado quando o influenciador atua como elo relevante na cadeia de fornecimento ou exerce forte poder de persuasão sobre sua audiência, aplicando-se, assim, as regras consumeristas.
Ou seja, não é necessário que o influenciador seja o fabricante ou o vendedor direto para que exista responsabilidade. O fator decisivo é a confiança gerada no público e o impacto da recomendação na decisão de consumo.
É o que aconteceu com Virgínia Fonseca, que foi condenada pelo TJPR a pagar uma indenização a uma seguidora que comprou um óculos de sol, comercializado com o nome da influenciadora, mas nunca recebeu o produto. O tribunal entendeu que a influenciadora tem responsabilidade na relação de consumo e aplicou a teoria do fornecedor equiparado.
Principais riscos jurídicos para influenciadores e creators
Entre os principais riscos estão:
advertências e sanções éticas aplicadas pelo CONAR;
remoção de conteúdos publicitários;
suspensão da conta nas redes sociais;
responsabilização civil por danos materiais e morais;
envolvimento em ações judiciais de consumidores;
impactos reputacionais e contratuais com marcas.
Por isso, atuar de forma transparente e juridicamente orientada não é apenas uma obrigação legal, mas uma estratégia de proteção profissional.
Conclusão
A atuação de influenciadores digitais está cada vez mais integrada ao mercado publicitário e, por consequência, ao Direito do Consumidor e à responsabilidade civil.
Identificar corretamente conteúdos publicitários, agir com transparência e compreender os limites da recomendação são medidas essenciais para reduzir riscos jurídicos e preservar a credibilidade perante o público.
Mais do que uma formalidade, cumprir essas regras é uma forma de profissionalizar a atuação no ambiente digital e ter um advogado especialista para orientar faz toda a diferença!
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